Potência, controle preciso da temperatura, segurança e facilidade de limpeza estão levando profissionais reconhecidos internacionalmente a substituir o fogão a gás

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Durante décadas, a chama do fogão a gás foi associada à imagem das grandes cozinhas profissionais. Agora, chefs reconhecidos internacionalmente estão substituindo o fogo visível pelos cooktops de indução, atraídos pela velocidade, pela precisão e pela praticidade oferecidas pela tecnologia.
Segundo um artigo publicado no blog da EuroKera, empresa especializada em superfícies vitrocerâmicas, profissionais de restaurantes premiados apontam que a indução deixou de ser apenas uma alternativa ambientalmente mais responsável para se transformar em uma ferramenta de alto desempenho nas cozinhas.
Entre os defensores da tecnologia está Thierry Molinengo, chef do restaurante Cristal Room Baccarat, em Paris, que define a indução como “poderosa e eficaz”. James Ramsden, proprietário do restaurante Pidgin, reconhecido com uma estrela Michelin, afirma que não pretende voltar a cozinhar com gás.
Calor imediato e controle preciso
Uma das principais vantagens destacadas pelos profissionais é a velocidade de aquecimento. Diferentemente do fogão a gás, que precisa transferir o calor da chama para o recipiente, a indução gera energia diretamente na base da panela compatível.
Na prática, o processo permite aquecer líquidos, preparar molhos e controlar o ponto dos alimentos com maior rapidez. A regulagem da potência também oferece respostas praticamente imediatas quando o cozinheiro aumenta ou reduz a temperatura.
Essa precisão é especialmente importante em preparos delicados, como chocolates, caldas, itens de confeitaria e molhos que exigem controle constante do calor. Ao mesmo tempo, a tecnologia consegue atingir temperaturas elevadas para fervuras rápidas e outros processos mais intensos.
Cozinhas mais frescas
Outro benefício percebido nas cozinhas profissionais é a redução do calor liberado no ambiente.
Como a indução aquece diretamente a panela, uma parcela menor da energia se espalha pela superfície do equipamento e pelo ar ao redor. Isso ajuda a manter a cozinha mais confortável, principalmente em restaurantes nos quais vários equipamentos funcionam simultaneamente durante horas.
A redução do calor desperdiçado também pode diminuir a necessidade de sistemas intensivos de refrigeração e ventilação, contribuindo para uma maior eficiência energética do estabelecimento.
Limpeza mais rápida após o serviço
A superfície plana dos cooktops de indução facilita a higienização. Sem grades, queimadores ou cavidades, os resíduos podem ser removidos com maior rapidez após o preparo dos alimentos.
O chef australiano Neil Perry, conhecido por sua atuação em restaurantes premiados, aponta a facilidade de limpeza como um dos motivos que o levaram a escolher a indução para suas cozinhas.
Como a superfície ao redor da panela não atinge as mesmas temperaturas de uma chama ou de uma resistência elétrica convencional, os alimentos derramados também têm menor probabilidade de queimar e permanecer grudados no equipamento.
Segurança sem chamas abertas
A ausência de fogo exposto é outro fator valorizado pelos profissionais. O chef Ming Tsai destaca a segurança da tecnologia, principalmente em ambientes frequentados por crianças.
A indução funciona apenas quando identifica uma panela compatível sobre a zona de cozimento. Ao retirar o recipiente, o fornecimento de energia é interrompido, embora a superfície possa permanecer aquecida pelo contato com a própria panela.
Em cozinhas profissionais, a eliminação da chama aberta também reduz preocupações durante o preparo prolongado de caldos, molhos e outros alimentos que permanecem cozinhando por várias horas.
Adaptação exige organização
A mudança do gás para a indução requer alguns ajustes na rotina. Como as panelas aquecem rapidamente, o tradicional mise en place — a preparação antecipada e a organização dos ingredientes — torna-se ainda mais importante.
O cozinheiro precisa ter os alimentos cortados, os temperos separados e os utensílios prontos antes de ligar o equipamento. A rapidez, que representa uma das principais vantagens da tecnologia, pode se transformar em dificuldade quando o preparo não está devidamente organizado.
Também é necessário utilizar panelas compatíveis, geralmente produzidas com materiais magnéticos, como ferro fundido e determinados tipos de aço inoxidável.
Zonas combinadas ampliam as possibilidades
Modelos mais avançados permitem combinar duas ou mais áreas de aquecimento para receber panelas grandes, assadeiras e recipientes de diferentes formatos.
Essa flexibilidade amplia o uso da indução em restaurantes e residências, permitindo preparar desde pequenas porções até pratos que exigem superfícies maiores e uma distribuição uniforme do calor.
Para o chef francês William Boquelet, depois da adaptação à tecnologia, voltar ao modelo anterior de cozinha deixou de ser uma possibilidade.
Tecnologia avança também nas residências
A redução gradual dos preços e o avanço dos equipamentos ampliaram o acesso à indução. A tecnologia, anteriormente concentrada em cozinhas sofisticadas, passou a estar presente em apartamentos, residências e pequenos estabelecimentos gastronômicos.
Além do desempenho culinário, a substituição do gás pode contribuir para a eletrificação das edificações, a redução da combustão dentro dos ambientes e a melhoria da qualidade do ar interno.
A escolha, entretanto, deve considerar a estrutura elétrica do imóvel, a potência do equipamento, o tipo de instalação e a compatibilidade das panelas.
A mudança observada nas cozinhas profissionais demonstra que a indução não deve ser vista apenas como uma tendência estética ou ambiental. Para os chefs que adotaram o sistema, trata-se de uma tecnologia capaz de reunir velocidade, precisão, segurança, limpeza e conforto em um mesmo equipamento.
Fonte: Testerman, P. Professional Chefs Love Induction Cooking and You Should Too. EuroKera Blog. Disponível em: https://eurokera.com/blog/professional-chefs-love-induction-cooking-and-you-should-too/. Acesso em: 17 jul. 2026.
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