A poluição ambiental deixou de ser compreendida apenas como uma ameaça aos pulmões e passou a ocupar uma posição central no debate sobre saúde pública, equilíbrio dos ecossistemas e proteção animal. Uma revisão narrativa publicada em 31 de maio de 2026 pela Revista FT reuniu 17 estudos e identificou associações com doenças respiratórias e cardiovasculares, alterações metabólicas e reprodutivas, efeitos neurológicos e mentais e a transmissão de zoonoses. O trabalho adota a perspectiva da Saúde Única, abordagem que reconhece a interdependência entre pessoas, animais e ambiente.
O artigo científico, registrado sob o DOI 10.69849/ejhca782, foi produzido por Caroline Pereira Lopes, Érica Kelly Moreira Godinho, Geovanna Kethelen Cabral, Katielly da Silva Gonçalves, Luan Vinícius Araújo de Morais, Mariana Fernandes de Almeida e Joice de Freitas Fonseca, pesquisadores vinculados ao Centro Universitário Una, em Betim, Minas Gerais. Conforme a publicação, a busca bibliográfica foi realizada nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e Google Acadêmico, abrangendo principalmente estudos publicados entre janeiro de 2015 e maio de 2025, com inclusões anteriores consideradas relevantes para a contextualização do tema.
De acordo com a revisão, as evidências mais consistentes concentram-se na relação entre poluição atmosférica e doenças respiratórias e cardiovasculares. Os estudos analisados associam poluentes como material particulado, dióxido de nitrogênio e ozônio à redução da função pulmonar e ao aumento de doenças respiratórias crônicas. A exposição prolongada também aparece relacionada a diabetes, alterações no peso e no comprimento ao nascer, artrite reumatoide, ansiedade, depressão e doença de Alzheimer. Incêndios florestais podem ampliar os efeitos respiratórios, especialmente entre crianças e idosos, enquanto a contaminação da água pode favorecer a circulação de patógenos e zoonoses como a leptospirose em territórios com saneamento precário.
A análise evidencia que respostas fragmentadas são insuficientes diante de um problema que atravessa sistemas biológicos, condições sociais e estruturas ambientais. Sob a perspectiva da Saúde Única, o enfrentamento da poluição depende da integração entre ciência, vigilância ambiental, saúde pública e estratégias de mitigação, com atenção especial às desigualdades socioambientais que ampliam a exposição de populações vulneráveis. Para o Instituto Safeweb, que atua em educação ambiental, sustentabilidade, ESG e articulação institucional, a publicação oferece uma referência científica relevante para qualificar a comunicação pública e fortalecer ações preventivas, sem que isso represente participação do Instituto na realização do estudo.
Os próprios autores reconhecem limites que precisam acompanhar a divulgação dos resultados: por se tratar de uma revisão narrativa, o trabalho não calculou tamanhos de efeito nem avaliou quantitativamente a heterogeneidade entre os estudos. A publicação também aponta possível viés de seleção relacionado ao uso do Google Acadêmico e admite que a estratégia de busca pode ter sub-representado evidências sobre saúde animal e ecotoxicologia. Ainda assim, o conjunto analisado reforça a urgência de ampliar o monitoramento, aprofundar pesquisas em contextos vulneráveis e transformar conhecimento científico em políticas ambientais e de saúde capazes de proteger, de forma integrada, pessoas, animais e ecossistemas.