Como você trabalha com educação, como que essa educação pode transformar a forma das pessoas entenderem e praticarem a sustentabilidade no dia a dia?
Então, a educação transforma quando ela vai além da teoria. A forma é a consciência. Ela ajuda as pessoas a entenderem que sustentabilidade está nas escolhas diárias: como consumir, descartar, se relacionar com o meio ambiente e com o outro. Quando as pessoas têm consciência, fica tudo mais fácil e, de fato, transforma.
Quais os principais desafios hoje para inserir a sustentabilidade de uma forma efetiva nas escolas, universidades e empresas? E como vocês dialogam isso na universidade?
Eu acredito que o maior desafio é deixar de tratar a sustentabilidade como um tema isolado. Falta formação adequada, integração entre as áreas e, muitas vezes, compromisso prático das instituições.
Aqui na instituição, além das cadeiras específicas sobre o tema, nós temos os projetos de extensão, que interligam a sustentabilidade aos diferentes cursos. A universidade está vendo isso de forma integrada, não deixando a sustentabilidade apenas como um assunto isolado.
Não é um tema para uma cadeira só. É assunto para projeto, para discussão, para pauta.
Todos os cursos abordam essas questões na universidade?
Sim. O projeto de extensão está presente em todos os cursos, inclusive por uma obrigatoriedade do MEC. Toda universidade e todo curso de graduação precisam ter projetos de extensão.
E não é uma cadeira que o aluno faz uma vez e acabou. Ela evolui ao longo da formação. O estudante começa com um projeto mais leve no primeiro semestre, mas o nível de dificuldade vai aumentando conforme ele avança nas cadeiras e nos semestres.
Cada curso precisa desenvolver um projeto baseado na sustentabilidade, então o tema deixa de ser isolado e passa a integrar a formação.
De que maneira a educação pode influenciar decisões coletivas, políticas públicas e comportamentos mais sustentáveis na sociedade?
Transformando cidadãos críticos. Quando a gente começa a desenvolver isso nos alunos, muita coisa já muda. Eles precisam entender de políticas públicas e fazer escolhas conscientes. Isso impacta diretamente a sociedade e fortalece uma cultura sustentável.
Que ações educativas tu considera mais urgentes para formar cidadãos comprometidos com o futuro ambiental e social?
Primeiro, a gente precisa começar formando professores com qualidade. Quando tu está só como aluno, vê uma realidade. Quando está como professor, vê outra.
Eu acredito que precisamos melhorar a formação dos professores e que a sustentabilidade deveria vir desde cedo. Hoje, vemos esse tema muito voltado para adolescentes e adultos, mas as crianças pequenas também precisam aprender desde o início.
Começou a ler e escrever, já deveria começar a aprender sobre sustentabilidade. É preciso desenvolver responsabilidade e atitude.
Tem alguma questão que tu considera importante destacar?
A principal pauta, na minha área que é a educação, é falar sobre a formação dos pequenos. Isso é o que mais me preocupa.
Enquanto alguns professores pensam apenas em cumprir carga horária, eu penso que estamos formando cidadãos. E, se eles não tiverem uma base boa e sustentável, as coisas não vão funcionar.
Se eu quero um amanhã melhor, eu tenho que plantar hoje. E plantar hoje é olhar para as nossas crianças com outro olhar.