Um estudo publicado em julho de 2026 na revista científica Building and Environment reforça a importância da ventilação para a qualidade do ar em ambientes fechados. Pesquisadores europeus acompanharam a evolução da concentração de dióxido de carbono (CO2) em salas de conferência, auditórios, sala multiuso e escritórios compartilhados. Como o CO2 é produzido pela respiração humana, seu acúmulo funciona como um indicador da eficiência da renovação do ar: concentrações elevadas sinalizam ambientes com ventilação insuficiente.
A questão tem impacto direto sobre espaços de uso cotidiano. Segundo o material analisado, permanecer em locais fechados sem ventilação adequada pode estar associado a cansaço, dor de cabeça, sonolência e prejuízo à concentração. Um dos desafios técnicos, porém, é avaliar a ventilação em ambientes grandes e movimentados, já que métodos tradicionais podem exigir horas até que o ar alcance condições estáveis. Para contornar essa limitação, os pesquisadores desenvolveram um modelo matemático capaz de analisar o CO2 em tempo real, sem depender desse equilíbrio.
O estudo também mostrou diferenças relevantes entre os modos de ventilação. A infiltração passiva - entrada espontânea de ar por frestas e rachaduras - não foi suficiente para evitar picos de CO2 acima de 1.500 ppm. Já a chamada ventilação mista, que combina ar-condicionado com abertura de janelas, conseguiu manter as concentrações dentro dos padrões indicados pelas normas internacionais citadas no trabalho, entre elas a ASHRAE 62.1. O método desenvolvido ainda permitiu estimar quantas pessoas estavam em cada sala a partir da medição do gás.
Os resultados ampliam a discussão sobre saúde ambiental e qualidade dos espaços construídos. A capacidade de acompanhar a concentração de CO2 de forma dinâmica pode auxiliar engenheiros no planejamento de edificações mais saudáveis e eficientes, além de abrir caminho para sistemas inteligentes que ajustem a ventilação conforme a ocupação dos ambientes. Essa abordagem busca conciliar renovação do ar e uso racional de energia, sem tratar conforto, eficiência e qualidade do ar interno como objetivos isolados.
Na prática, a pesquisa reforça uma orientação simples: ambientes fechados precisam de renovação constante do ar. Abrir janelas, utilizar ventiladores ou contar com sistemas adequados de ventilação são medidas que contribuem para reduzir o acúmulo de CO2 e melhorar as condições dos espaços onde as pessoas permanecem por longos períodos. Ao transformar medições em informações capazes de orientar decisões de projeto e operação, o estudo acrescenta evidências ao debate sobre a relação entre ventilação, saúde, bem-estar e desempenho dos ambientes internos.
Referências
● Artigo principal: GARCÍA-CORRAL, Álvaro et al. Evolution of CO2 concentration in indoor-room environments with different ventilation modes. Building and Environment, v. 299, 114671, 1 jul. 2026. DOI: 10.1016/j.buildenv.2026.114671. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0360132326004762.
● Preprint (versão preliminar): GARCÍA-CORRAL, Álvaro et al. Evolution of CO2 concentration in indoor-room environments with different ventilation modes. SSRN, 7 mar. 2026. DOI: 10.2139/ssrn.6366863.
● Norma citada no estudo: ASHRAE 62.1 — padrão internacional de ventilação para qualidade aceitável do ar interno.