Edição -
Instituto Safeweb News 14


7/8/26 9:44
Editorial
Há um silêncio que mata devagar no Brasil. É o silêncio dos gases e poluentes atmosféricos que entram em nossas casas, nossas escolas, nossos hospitais e nossos locais de trabalho sem pedir licença — e sem que ninguém os meça, regule ou declare. Não falam, não cheiram, não aparecem em relatórios, mas adoecem silenciosamente: inflamam o coração, comprometem os pulmões, roubam o neurodesenvolvimento das nossas crianças e lotam os consultórios e as UTIs. Enquanto o país celebra a transição energética e os selos verdes, a saúde pública permanece exposta a um inimigo invisível, e o silêncio regulatório custa vidas, adoece trabalhadores e acumula um passivo jurídico e trabalhista que pode surpreender empresas, órgãos públicos e o próprio Estado. O II Fórum Nacional de Educação Energética, Gases e Poluentes Atmosféricos Internos nasce exatamente para quebrar esse silêncio.
Este fórum é de todos os que protegem a vida e o futuro do país. É dos pediatras, que veem a asma infantil e os impactos no desenvolvimento das crianças; dos médicos do trabalho e pneumologistas, que enfrentam diariamente a insalubridade silenciosa dos ambientes laborais; dos cardiologistas, que tratam as consequências cardiovasculares da poluição; dos profissionais de sustentabilidade, que precisam entender que selo verde sem saúde não é sustentabilidade; dos gerentes de recursos humanos, que lidam com o adoecimento e o passivo de seus colaboradores; dos advogados, que precisam dominar as novas fronteiras da responsabilidade civil e trabalhista; dos professores, que educam as próximas gerações; dos sindicatos, que negociam acordos sem dados e protegem trabalhadores sem medição; e das entidades médicas que representam a categoria, como o SIMERS e a AMRIGS, chamadas a liderar este debate com a autoridade de quem jurou proteger a vida.
A todos os médicos, profissionais de saúde, gestores, educadores, juristas e lideranças sindicais: o convite é para participar, atualizar-se e sair daqui diferentes. Não para ouvir discursos, mas para conhecer as evidências científicas, os protocolos que precisam ser criados e as soluções que precisam ser implementadas — da medição da qualidade do ar interno aos novos parâmetros da medicina ocupacional, da revisão dos acordos coletivos à exigência de insumos certificados em saúde. O silêncio dos gases cobra um preço caro demais; o conhecimento é a única forma de transformá-lo em ação. O II Fórum Nacional é o ponto de encontro de quem acredita que o ar que respiramos não pode mais ser ignorado. Venha. Traga sua profissão, sua indignação e sua vontade de mudar — porque o silêncio acabou.
Alexandre S. Tavares, PhD
Diretor de PD&I Instituto Safeweb | Membro do BioHub Tecnopuc
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