Uma revisão sistemática internacional publicada em junho de 2026 na revista científica Frontiers in Pediatrics chama atenção para a qualidade do ar em creches, jardins de infância e escolas primárias frequentadas por crianças de 0 a 12 anos. Conduzido por pesquisadores da Universidad de Málaga, na Espanha, o trabalho analisou 26 pesquisas realizadas em escolas reais, selecionadas entre quase mil estudos avaliados, e indica que a qualidade do ar dentro das salas pode ficar abaixo do ideal, com possíveis impactos sobre a saúde infantil.
Entre os pontos destacados está o acúmulo de dióxido de carbono (CO₂) em salas de aula, especialmente quando a renovação do ar depende da abertura de janelas. No inverno, a tendência de manter os ambientes fechados para preservar o conforto térmico pode reduzir a ventilação. O CO₂ funciona como um indicador da renovação do ar: concentrações elevadas sinalizam ambientes abafados e mal ventilados. Os pesquisadores ressaltam, porém, que a medição de CO₂ isoladamente não contempla todos os fatores que interferem na qualidade do ar interno.
A análise também considera outras fontes de exposição, como poluição proveniente das ruas, fumaça de veículos, partículas e odores associados a produtos de limpeza. Nas creches, a rotina dos funcionários, os horários de higienização, os produtos utilizados e a permanência de bebês e crianças pequenas próximos ao chão podem influenciar a exposição. Nas escolas primárias, os poluentes podem se acumular durante as horas de aula, e as condições podem variar significativamente entre salas de um mesmo prédio.
A umidade é outro aspecto que exige atenção. Segundo a revisão, ainda existem menos evidências sobre mofo e condensação nas paredes, o que reforça a importância da prevenção. Como resposta, os autores apresentam um roteiro de melhoria que combina controle das fontes de poluição, mudança de hábitos, ventilação constante, filtragem adequada do ar, escolha de produtos de limpeza menos tóxicos, combate à umidade nas edificações e, em níveis mais avançados, utilização de sensores para acompanhamento do ambiente em tempo real.
O estudo reforça ainda que o monitoramento deve considerar os períodos em que as crianças efetivamente estão nas salas, em vez de se limitar às médias registradas ao longo de todo o dia. A abordagem coloca a qualidade do ar interno como uma questão diretamente relacionada à saúde e ao ambiente educacional e oferece parâmetros para que creches, escolas e responsáveis pelas edificações adotem medidas preventivas e acompanhem de forma mais consistente as condições às quais crianças e profissionais estão expostos.
Referência científica: DÍAZ-LÓPEZ, C.; MUÑOZ-GONZÁLEZ, C. M.; MORALES-RUIZ, A. Indoor Air Quality (IAQ) in day-care centers, kindergartens, and primary schools: a pediatric health-oriented operational framework aligned with European and U.S. IAQ standards. Frontiers in Pediatrics, v. 14, 2026. DOI: 10.3389/fped.2026.1801649.