O Brasil chega a 2026 diante de um cenário que demonstra a dimensão de seu protagonismo na transição energética. No início do ano, o país ultrapassou 217 GW de capacidade instalada em usinas centralizadas, com aproximadamente 85% provenientes de fontes renováveis, entre hidrelétricas, eólicas, solares e biomassa. Em 2025, o Sistema Interligado Nacional (SIN) gerou mais de 704 mil GWh, dos quais 89% tiveram origem renovável.
Os números revelam uma vantagem estratégica, mas também colocam o país diante de uma nova etapa. Depois de avançar na capacidade de produzir energia limpa, o desafio passa a ser garantir que essa energia possa ser efetivamente aproveitada quando o sistema necessita.
A composição da matriz ajuda a explicar a posição brasileira. As hidrelétricas permanecem como principal fonte, respondendo por quase metade da capacidade instalada. Entretanto, o avanço mais expressivo está associado ao sol e ao vento. Juntas, as fontes eólica e solar já representam 26,4% da matriz elétrica. A energia solar, isoladamente, registrou crescimento de 33,7% em 2025 e chegou a quase 65 GW.
A expansão deve continuar. Segundo a projeção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) citada no material de referência, a capacidade instalada poderá crescer 9,1 GW em 2026, avanço 23% superior ao registrado no ano anterior e impulsionado principalmente por novas usinas renováveis.
O paradoxo da energia que não é aproveitada
A expansão da geração, entretanto, trouxe um desafio estrutural. Em determinados momentos, existe energia renovável disponível, mas o sistema não consegue absorvê-la integralmente.
Em 7 de setembro de 2026, segundo as informações reunidas no documento, houve corte de 8.637 MW de geração renovável no Nordeste por limitações de espaço no sistema. O material também aponta que o país chega a desperdiçar cerca de 20% da energia solar produzida durante o dia, enquanto, no período noturno, pode precisar recorrer a usinas térmicas.
Esse contraste coloca o armazenamento de energia no centro da discussão sobre a próxima fase da transição energética brasileira. Em vez de considerar apenas quanto o país consegue gerar, o debate passa também por quanto dessa produção pode ser armazenada, administrada e disponibilizada no momento em que existe demanda.
Entre as respostas apresentadas está o uso de sistemas de armazenamento por baterias. Conforme referência do Canal Energia incluída no documento, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prepara uma linha de crédito específica destinada ao financiamento de projetos de armazenamento de energia.
Transição energética exige planejamento
O horizonte apresentado para os próximos anos reforça a importância dessa discussão. Segundo projeção do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) citada no material, até 2029 as novas fontes renováveis — solar, eólica e biomassa — deverão representar mais da metade da capacidade instalada brasileira.
A perspectiva evidencia que a transição energética não depende exclusivamente da instalação de novas usinas. Redes, sistemas de armazenamento, regulação, planejamento energético e capacidade de integração das diferentes fontes passam a fazer parte da mesma agenda.
Essa discussão também dialoga diretamente com sustentabilidade, desenvolvimento econômico e responsabilidade socioambiental. Uma matriz mais limpa reduz a dependência de fontes de maior impacto ambiental, mas seu avanço exige infraestrutura e políticas capazes de transformar capacidade instalada em energia efetivamente disponível para a sociedade e para o setor produtivo.
Nesse contexto, a agenda defendida pelo Instituto Safeweb, voltada à sustentabilidade, educação ambiental, responsabilidade socioambiental, ESG e transição energética, ganha relevância ao estimular a compreensão de que desenvolvimento sustentável envolve também informação, planejamento e formação de uma cultura capaz de acompanhar as transformações tecnológicas e ambientais.
O Brasil já demonstrou capacidade para produzir energia renovável em grande escala. O próximo passo apontado pelos dados é igualmente estratégico: criar condições para aproveitar melhor essa produção. Se a geração limpa já ocupa posição central na matriz brasileira, armazenamento, modernização regulatória e planejamento de longo prazo tendem a definir a eficiência da próxima etapa da transição energética.
Fontes consultadas
• Canal Solar — “Como funciona o setor elétrico do Brasil em 2026?” — 06/02/2026
• Cenário Energia — “Brasil fecha 2025 com matriz elétrica mais renovável e expansão recorde” — 12/05/2026
• EPE — “Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional 2026” — 03/08/2026
• Poder360 — “Aneel projeta alta de 9,1 GW na matriz elétrica em 2026” — 13/01/2026
• Folha de S.Paulo — “Brasil já desperdiça quase uma Belo Monte em energia renovável” — 03/02/2026
• Radar Energia — “ONS avança em plano para gestão do curtailment” — 10/09/2026
• Canal Energia — “BNDES prepara linha de crédito para armazenamento de energia” — 11/09/2026
• O Globo — “Novas fontes renováveis serão mais da metade da matriz elétrica até 2029, prevê ONS” — 22/04/2025