Um estudo publicado em setembro de 2026 na revista científica Environmental Health Perspectives identificou 920 substâncias químicas presentes em produtos e ambientes comuns que podem aumentar o risco de câncer de mama. Conduzida pelo Silent Spring Institute, nos Estados Unidos, a pesquisa cruzou informações de mais de uma dezena de bancos de dados do governo americano sobre produção, uso, emissões e níveis dessas substâncias no organismo humano. Os compostos, denominados pelos pesquisadores de “BC-Chems”, aparecem em diferentes fontes de exposição do cotidiano.
Os dados reunidos dimensionam a abrangência do problema. Segundo o estudo, 500 dessas substâncias estão presentes em produtos de consumo, como cosméticos, produtos de limpeza e embalagens; 485 aparecem em formulações de pesticidas; 462 em alimentos; 162 na água potável; 142 em medicamentos; e 106 em materiais de construção. A pesquisa também aponta que mais de 2 bilhões de libras desses químicos foram liberadas no ar em 2020 e que 84 já foram detectados no organismo de pessoas monitoradas, número considerado subestimado pelos próprios pesquisadores porque a maioria das substâncias não é rastreada pelo governo.
A exposição também chama atenção para a qualidade do ar em ambientes fechados. O material destaca que parte desses químicos está em locais onde as pessoas passam grande parte do tempo, como casas, escritórios e escolas. Produtos de limpeza, ambientadores, móveis, tintas e revestimentos podem liberar substâncias no ar e na poeira, enquanto a ventilação limitada pode contribuir para a concentração desses compostos. Pesquisas anteriores do Silent Spring Institute, citadas no material, já haviam indicado que o ar interno de uma residência pode concentrar dezenas desses químicos, em alguns casos em níveis superiores aos encontrados no ambiente externo.
Para os autores, o mapeamento pode contribuir para orientar estratégias de redução da exposição e prioridades de políticas públicas. Entre as medidas apresentadas estão priorizar a regulação de contaminantes na água potável, evitar o uso desses químicos em produtos comuns, ampliar o monitoramento das substâncias no organismo humano e fortalecer a fiscalização de pesticidas. A amplitude das fontes identificadas também coloca a prevenção em uma perspectiva que envolve governos, empresas, sistemas de monitoramento e escolhas relacionadas aos ambientes em que a população vive, trabalha e estuda.
A pesquisa oferece, assim, um panorama sobre onde substâncias relevantes para o risco de câncer de mama podem estar presentes e quais vias de exposição merecem maior atenção. Ao reunir dados sobre produtos de consumo, alimentos, água, pesticidas, materiais de construção, emissões atmosféricas e ambientes internos, o estudo fornece elementos para orientar ações de redução de riscos e reforça a importância da qualidade ambiental como componente das políticas de proteção à saúde.
Referência: Kay JE, Shakti R,McEneaney JT, Polsky C, Schwarzman M, Rudel RA. Guiding Risk Reduction forBreast Cancer-Relevant Chemicals (BC-Chems): Chemical Production Volumes,Sources, Intake Levels, Emissions, and Regulations. Environmental HealthPerspectives, 2026. DOI: 10.1021/EHP.6c00022