Um estudo publicado em janeiro de 2026 na revista científica iScience chama atenção para a relação entre a exposição a partículas de poluição do ar e problemas de fertilidade em homens e mulheres. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Jilin, na China, reuniu dezenas de trabalhos e analisou como pequenas partículas suspensas no ar podem interferir na saúde reprodutiva. Entre os efeitos descritos estão a redução da quantidade e da qualidade dos espermatozoides nos homens e alterações nos óvulos e nos hormônios relacionados à gravidez nas mulheres.
O alerta não se restringe à poluição encontrada nas ruas e associada, por exemplo, aos escapamentos de veículos. O material analisado destaca que ambientes internos também podem concentrar fontes de partículas nocivas. Fumar em locais fechados, utilizar sistemas de aquecimento e cozinhar com chama aberta, como em fogões a lenha ou carvão, são situações apontadas como capazes de liberar partículas no ar respirado diariamente pelas famílias. Segundo o texto de referência, o risco é maior para pessoas mais velhas, com obesidade ou pressão alta.
Os mecanismos apresentados pelos pesquisadores ajudam a explicar de que forma a poluição pode interferir na fertilidade. As partículas podem provocar processos inflamatórios no organismo, desequilíbrios hormonais e danos ao DNA das células reprodutivas, afetando a produção de espermatozoides e óvulos saudáveis. A revisão reforça, assim, que a qualidade do ar deve ser considerada também sob a perspectiva da saúde reprodutiva, ampliando a discussão sobre os efeitos da exposição cotidiana a poluentes.
Entre as medidas de proteção citadas estão a ventilação adequada dos ambientes, o uso de purificadores de ar com filtro HEPA, a eliminação do cigarro dentro de casa e a substituição de fogões a lenha por alternativas mais limpas. Para ambientes externos, o material menciona o uso de máscaras N95, enquanto a alimentação com frutas e verduras ricas em vitaminas C e E é apresentada como estratégia para auxiliar o organismo no enfrentamento dos efeitos da poluição. Outra revisão publicada em maio de 2026, voltada à poluição do ar interno e à saúde de mulheres em países asiáticos em desenvolvimento, também é citada como reforço à importância de cozinhas bem ventiladas, com coifa ou exaustor.
Os estudos reunidos colocam a qualidade do ar interno entre os fatores ambientais que merecem atenção nas estratégias de prevenção e promoção da saúde. Ao aproximar a discussão sobre poluição de espaços como casas e cozinhas, as evidências destacadas ampliam a percepção de que a exposição não ocorre apenas em áreas externas. Medidas para reduzir partículas e fumaça nos ambientes fechados podem, portanto, integrar cuidados cotidianos voltados à proteção da saúde, inclusive a reprodutiva.
Referências
- DONG, H. et al. Exploring the nexus between particulate matter and infertility: Multiple mechanistic insights and potential control strategies. iScience, v. 29, 16 jan. 2026.
- RAHMADINA, F. et al. Indoor air pollution and health outcomes in women in developing Asian countries: a systematic review. Environmental Analysis Health and Toxicology, 6 mai. 2026.