Uma pesquisa da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, identificou que a presença e a movimentação de pessoas podem elevar significativamente a concentração de partículas no ar de escritórios. Realizado entre setembro e novembro de 2024, o monitoramento de dois ambientes de trabalho apontou que os níveis de material particulado PM10 chegaram a ser quase quatro vezes maiores durante os períodos de ocupação do que quando os espaços estavam vazios. O estudo, publicado em 2026 na revista científica npj Climate and Atmospheric Science, destaca a influência das atividades humanas sobre a qualidade do ar interno.
Os pesquisadores instalaram sensores de qualidade do ar e radares de movimento em um escritório no centro de Birmingham, acompanhando por aproximadamente dois meses e meio uma área aberta com cerca de 20 postos de trabalho e uma sala de reunião com oito assentos. A investigação procurou distinguir a contribuição dos poluentes provenientes do ambiente externo daquela associada às atividades realizadas dentro do edifício. Os resultados indicaram que caminhar e circular pelos espaços pode ressuspender partículas depositadas em superfícies, ampliando sua presença no ar respirado pelos ocupantes.
Na área aberta, cada pessoa adicional esteve associada, em média, a um acréscimo de 8,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de PM10, diante de uma concentração de fundo de 4,9 µg/m³. A movimentação dos ocupantes apresentou correlação de até 0,74 com os níveis de PM10, superior à correlação de 0,65 observada para a simples contagem de pessoas. Para dióxido de carbono (CO₂) e compostos orgânicos voláteis totais, a correlação com a movimentação chegou a 0,83. Na sala de reunião, onde os ocupantes permaneciam mais tempo sentados, o acréscimo observado foi de aproximadamente 1,4 µg/m³ por pessoa.
A análise também mostrou diferenças importantes entre os tamanhos das partículas. Enquanto as fontes internas responderam por cerca de 40% do PM10, sua contribuição estimada foi inferior a 1% para PM1 e de aproximadamente 6% para PM2,5, frações que acompanharam mais de perto as condições do ar externo. Os resultados apontam para a necessidade de estratégias complementares de gestão ambiental: controlar a entrada de poluentes vindos de fora e reduzir a ressuspensão de poeira e outras partículas dentro dos ambientes. As associações identificadas no escritório estudado, entretanto, não devem ser automaticamente generalizadas para todos os edifícios.
O trabalho amplia o debate sobre saúde ambiental e condições de ocupação dos espaços profissionais, mostrando que a qualidade do ar interno depende tanto da ventilação e da filtragem quanto das atividades realizadas diariamente. Para gestores de edifícios e responsáveis pela saúde ocupacional, os achados oferecem subsídios para avaliar limpeza, circulação de pessoas e desempenho dos sistemas de tratamento do ar. A pesquisa reforça a importância de monitorar diferentes classes de partículas e adotar medidas ajustadas às características de cada ambiente, sem atribuir à presença humana, isoladamente, todos os problemas de poluição interna.
Referência: Bousiotis, D.; Sanghera, D. S.; Carrington, J.; Hodgkiss, G.; Jajarmi, F.; Rajab, K. Z.; Pope, F. D. Parameterising the effect of human occupancy and kinetic energy on indoor air pollution. npj Climate and Atmospheric Science, v. 9, n. 1, art. 4, 2026. DOI: https://doi.org/10.1038/s41612-025-01281-9