A qualidade do ar dentro de casas de repouso e instituições de longa permanência para idosos representa uma preocupação crescente para a saúde ambiental. Uma revisão científica conduzida por pesquisadores da Universidade Técnica de Viena (TU Wien), na Áustria, analisou 75 publicações produzidas entre 2000 e 2026 e identificou a presença de poluentes atmosféricos em ambientes destinados ao cuidado de pessoas idosas. Publicado na revista científica Building and Environment, o levantamento examinou concentrações de material particulado, compostos orgânicos voláteis (COVs) e formaldeído, além de estratégias utilizadas para melhorar as condições do ar nesses estabelecimentos.
Entre os resultados apresentados, as concentrações de partículas finas conhecidas como PM2,5 geralmente ficaram entre 5 e 30 microgramas por metro cúbico, embora tenham sido registrados episódios de elevação expressiva. Em uma instituição para idosos com demência, na Holanda, os níveis ultrapassaram 100 microgramas por metro cúbico durante o preparo de refeições. A revisão também identificou influências do tráfego de veículos, dos incêndios florestais e das atividades realizadas nos ambientes internos. As concentrações de compostos orgânicos voláteis apresentaram diferenças entre instituições, quartos e estações do ano, demonstrando a complexidade do monitoramento.
O levantamento também reuniu evidências sobre medidas capazes de reduzir a presença de contaminantes. Em alguns estudos, equipamentos portáteis de filtragem do ar proporcionaram reduções superiores a 60% nas concentrações de material particulado. Intervenções na ventilação, incluindo abertura de janelas e modernização de sistemas de climatização, favoreceram a renovação do ar e a diminuição do dióxido de carbono acumulado. Tecnologias de purificação integradas aos sistemas de ventilação e procedimentos de desinfecção por radiação ultravioleta também apresentaram resultados promissores, embora sua aplicação dependa das características e necessidades de cada instituição.
A discussão ganha relevância diante da vulnerabilidade da população idosa e do tempo prolongado de permanência em ambientes fechados. A presença de partículas e substâncias químicas no ar reforça a importância de incorporar a qualidade ambiental às rotinas de cuidado, manutenção predial e prevenção em saúde. Além da concentração de poluentes, aspectos como umidade, conforto térmico, eficiência da ventilação e consumo energético precisam ser considerados de maneira integrada. Essa abordagem amplia o debate sobre a infraestrutura das instituições de longa permanência e sua relação com a proteção da saúde e a qualidade de vida dos residentes.
Apesar dos resultados favoráveis de determinadas intervenções, os pesquisadores ressaltam que as evidências disponíveis ainda são heterogêneas, incluindo investigações de curta duração e estudos baseados em modelos. Por isso, não é possível estabelecer uma única estratégia como a mais eficaz para todas as instituições. A revisão recomenda avanços no monitoramento contínuo e padronizado da qualidade do ar, acompanhados de avaliações sobre as condições ambientais e o desempenho das soluções adotadas. O estudo contribui, assim, para ampliar a atenção científica e institucional a um componente da assistência aos idosos que nem sempre recebe a mesma visibilidade de outros cuidados em saúde.
REFERÊNCIA CIENTÍFICA: Pichlhöfer, A.; Streit, E.; Korjenic, A. Indoor air quality in long-term care facilities: A scoping review of particulate matter, volatile organic compounds, and mitigation strategies. Building and Environment, v. 305, artigo 115187, 2026. https://doi.org/10.1016/j.buildenv.2026.115187