A poluição por ozônio, frequentemente associada aos dias quentes e à deterioração da qualidade do ar nas cidades, também representa uma preocupação dentro de residências, escritórios e outros espaços fechados. Uma revisão científica desenvolvida por Jun Wang, Qi Wang e Tingting Wang, publicada na revista Frontiers in Built Environment, analisa os mecanismos de formação, as características e as alternativas de controle do ozônio em ambientes internos. Segundo o estudo, o poluente pode penetrar nas edificações por janelas, sistemas de ventilação e pequenas aberturas estruturais, além de ser produzido por determinados equipamentos e processos químicos. A pesquisa amplia o debate sobre a exposição cotidiana a contaminantes que nem sempre são percebidos pelos ocupantes dos imóveis.
O ozônio é um gás altamente reativo que, quando presente próximo à superfície terrestre, pode comprometer a qualidade do ar e provocar efeitos prejudiciais à saúde. A revisão destaca que sua concentração nos ambientes internos sofre influência das condições externas, da circulação de ar, das características construtivas e das fontes de emissão existentes no próprio espaço. Os autores também apontam variações relacionadas à temperatura, ao período do dia e à altura das edificações, com possibilidade de concentrações mais elevadas em determinados andares superiores. Esses fatores demonstram que a exposição não depende exclusivamente da poluição registrada nas ruas, mas também da maneira como os edifícios interagem com o ambiente externo.
Um dos aspectos destacados pela investigação é a capacidade do ozônio de reagir com outras substâncias presentes nos ambientes fechados. Compostos encontrados em produtos de limpeza e até componentes naturais da superfície da pele humana podem participar dessas reações, favorecendo a formação de poluentes secundários potencialmente prejudiciais. A exposição ao ozônio está associada principalmente a efeitos respiratórios, enquanto a revisão também discute possíveis repercussões cardiovasculares e neurológicas. Entre as alternativas tecnológicas avaliadas estão sistemas de remoção com carvão ativado, materiais catalíticos e soluções de purificação específicas. Nos testes relatados no material científico, determinados dispositivos reduziram concentrações de 250 para 75 partes por bilhão, demonstrando potencial de controle em condições experimentais.
A pesquisa também apresenta possibilidades de integração entre ventilação planejada, materiais absorventes e tecnologias de tratamento do ar. Segundo os resultados reunidos, determinadas combinações alcançaram reduções de 60% a 80% nas concentrações internas de ozônio, embora a eficiência dependa das condições de instalação e operação. Filtros HEPA podem contribuir para a retenção de partículas, mas não removem, isoladamente, o ozônio gasoso, exigindo tecnologias apropriadas para esse contaminante. Para arquitetos, engenheiros, gestores de edificações e profissionais de saúde ambiental, os resultados reforçam a necessidade de considerar a qualidade do ar desde a concepção dos projetos até a manutenção dos sistemas de climatização.
As conclusões apontam que o enfrentamento da poluição por ozônio exige estratégias adaptadas às características de cada ambiente. A ventilação em períodos de menor concentração externa, a escolha de equipamentos que não emitam ozônio e a utilização de sistemas de remoção adequados podem contribuir para reduzir a exposição. O estudo também amplia a importância de pesquisas sobre materiais construtivos e soluções tecnológicas capazes de melhorar a qualidade ambiental interna. Ao relacionar ciência, engenharia e prevenção em saúde, a revisão evidencia que a proteção dos ocupantes de edifícios depende de medidas integradas, capazes de considerar tanto os poluentes provenientes do exterior quanto aqueles formados dentro dos próprios espaços.
REFERÊNCIA CIENTÍFICA
WANG, Jun; WANG, Qi; WANG, Tingting. Review on the generation, characteristics and control methods of indoor ozone pollution. Frontiers in Built Environment, v. 11, artigo 1736360, 2026.