A qualidade do ar dentro de edificações recém-construídas merece atenção também sob a perspectiva da saúde. Estudo publicado na revista científica Environmental Health mostrou que substâncias químicas liberadas por tintas, móveis, colas e materiais de construção podem estar relacionadas à inflamação das vias respiratórias. A pesquisa acompanhou 34 pessoas — entre funcionários, cuidadores e pacientes — de um hospital de reabilitação na Coreia do Sul que se mudou para um prédio novo.
De acordo com o estudo de Kwon et al. (2018), os participantes foram avaliados uma semana antes e uma semana depois da mudança. Os resultados indicaram que o ar do novo prédio apresentava maior poluição e que essa diferença foi acompanhada por alterações percebidas na saúde das pessoas avaliadas.
Entre as substâncias analisadas estão produtos químicos que evaporam no ar em temperatura ambiente e podem ser provenientes de elementos presentes nos ambientes internos, como pisos, revestimentos, produtos de limpeza, adesivos e mobiliário. Após a mudança, os participantes passaram a relatar maior ressecamento e irritação nos olhos. Exames de urina também indicaram que o organismo havia absorvido uma quantidade maior dessas substâncias.
O resultado de maior relevância para a saúde respiratória apareceu nos exames realizados após uma semana no novo edifício. Conforme a pesquisa, os testes apontaram sinais de inflamação nas vias aéreas, reação descrita no estudo como semelhante à observada em quadros de alergia e asma.
Segundo os autores, a pesquisa foi a primeira do tipo a acompanhar pessoas em sua rotina e indicar que mesmo níveis baixos dessas substâncias, como aqueles encontrados em ambientes comuns, podem afetar a saúde pulmonar. O trabalho, entretanto, também registra uma ressalva importante: fatores relacionados à própria mudança de prédio podem ter influenciado os resultados.
A pesquisa chama atenção para uma dimensão do ambiente construído que nem sempre é percebida imediatamente: a qualidade do ar respirado durante longos períodos dentro de casas, locais de trabalho e outras edificações. No caso de imóveis recém-construídos ou reformados, os pesquisadores indicam que pode haver maior concentração dessas substâncias.
Entre as medidas práticas apontadas pelos autores está a boa ventilação dos cômodos, que pode contribuir para reduzir a exposição. A conclusão reforça a importância de observar a qualidade do ar interno não apenas como uma questão relacionada ao conforto dos ambientes, mas também como um tema de saúde pública.
Sob a perspectiva da sustentabilidade e da responsabilidade socioambiental, o estudo amplia uma discussão importante: a qualidade de uma edificação também pode ser observada a partir da relação entre ambiente e pessoas. Para o Instituto Safeweb, pautas que aproximam conhecimento científico, saúde ambiental e conscientização contribuem para fortalecer uma cultura de prevenção e responsabilidade.
A discussão está alinhada à atuação institucional voltada à sustentabilidade, à educação ambiental e à responsabilidade socioambiental. Nesse contexto, ampliar o acesso da sociedade a informações qualificadas sobre os ambientes em que vive e trabalha é parte de uma agenda que conecta desenvolvimento sustentável, saúde e qualidade de vida.
Fontes consultadas:
• Kwon, J.-W., Park, H.-W., Kim, W. J., Kim, M.-G. & Lee, S.-J. (2018). Exposure to volatile organic compounds and airway inflammation. Environmental Health, 17, 65.
• Documento “Qualidade do Ar em Prédio Novo”, fornecido para esta pauta.