A qualidade do ar que respiramos dentro de casa também depende de escolhas, hábitos e condições existentes no próprio ambiente doméstico. Uma revisão internacional publicada na International Journal of Environmental Research and Public Health analisou 141 estudos realizados em 29 países e identificou diferentes fontes capazes de contribuir para a poluição do ar no interior das residências.
O trabalho, de Vardoulakis et al. (2020), reuniu dados de 18 anos de publicações científicas e apontou o cigarro, o uso de fogões e aquecedores a gás, determinados produtos domésticos e até atividades comuns, como cozinhar, entre as fontes relevantes de poluentes presentes no ambiente residencial.
Entre os fatores analisados, o cigarro aparece como a principal fonte de partículas finas e também de substâncias associadas ao câncer. Essas partículas representam uma preocupação por sua capacidade de penetrar profundamente nos pulmões.
Outro ponto de atenção está no uso de fogões e aquecedores a gás sem ventilação adequada. De acordo com o estudo, esses equipamentos estão entre os principais responsáveis pela presença do gás que irrita as vias respiratórias. Produtos de limpeza, solventes, tintas e reformas também podem liberar substâncias químicas que evaporam e permanecem no ar. O próprio preparo dos alimentos, principalmente por meio de frituras, contribui para a poluição interna.
Ventilação aparece como fator de proteção
A pesquisa indica ainda que as características e a localização das residências interferem na exposição. Moradias próximas a ruas movimentadas podem receber poluentes provenientes do ambiente externo pelas janelas, enquanto casas pequenas e recém-reformadas tendem a apresentar maior concentração de determinadas substâncias químicas.
Nesse cenário, a ventilação ganha relevância. Segundo a revisão, residências com boa troca de ar apresentaram níveis significativamente menores de poluição interna. Os autores recomendam reduzir ou eliminar as fontes de poluição dentro das casas, promover a ventilação em períodos nos quais o ar externo esteja mais limpo e observar a qualidade dos produtos utilizados diariamente.
A discussão ultrapassa, portanto, a percepção tradicional de que a poluição atmosférica é um problema exclusivamente externo. A qualidade ambiental dos espaços onde as pessoas permanecem por longos períodos também merece atenção dentro das agendas de educação ambiental, prevenção e responsabilidade socioambiental.
Para o Instituto Safeweb, ampliar o conhecimento sobre qualidade do ar em ambientes internos contribui para aproximar sustentabilidade, saúde ambiental e escolhas cotidianas. Informação qualificada pode ajudar a sociedade a compreender que práticas adotadas dentro das próprias residências também fazem parte da construção de ambientes mais responsáveis.
A revisão encontrou relação consistente entre níveis elevados de poluição interna e sintomas respiratórios, com destaque para crises de asma em crianças. O dado reforça a importância de tratar a qualidade do ar dos ambientes internos como tema de interesse público e de educação ambiental.
Fontes consultadas
Vardoulakis, S.; Giagloglou, E.; Steinle, S.; Davis, A.; Sleeuwenhoek, A.; Galea, K. S.; Dixon, K.; Crawford, J. O. (2020). Indoor Exposure to Selected Air Pollutants in the Home Environment: A Systematic Review. International Journal of Environmental Research and Public Health, 17(23), 8972. DOI: 10.3390/ijerph17238972.