A qualidade do ar segue como um desafio relevante de saúde pública em Portugal, mesmo após avanços registrados nas últimas décadas. Segundo estudo citado no material de referência, a poluição por partículas finas esteve associada a mais de 5 mil mortes por ano no país entre 2010 e 2021, enquanto doenças respiratórias relacionadas ao dióxido de nitrogênio foram vinculadas a mais de 130 mortes anuais. Os números reforçam que respirar ar contaminado não é apenas uma questão ambiental, mas um fator com impacto mensurável sobre a saúde da população.
A preocupação não se limita aos espaços externos. Pesquisas portuguesas mencionadas no documento mostram que ambientes internos, como casas, escolas, locais de trabalho e lares de idosos, também podem apresentar condições inadequadas. Em salas de aula no Porto, foram observados níveis elevados de dióxido de carbono, indicador de ventilação insuficiente, além de concentrações de partículas e bactérias acima do recomendado. Outra investigação encontrou quantidade de bactérias em ambientes internos superior ao dobro da observada no exterior, associando o resultado à ventilação deficiente e à ocupação dos espaços.
Crianças aparecem entre os grupos que merecem maior atenção. A coorte Geração XXI, desenvolvida no Porto, acompanha como as condições ambientais e sociais ao longo do crescimento podem influenciar a função pulmonar. O material também reúne evidências internacionais que apontam problemas semelhantes em outros países, como escolas de Barcelona, onde as salas apresentaram níveis elevados de partículas provenientes de diferentes fontes internas e externas, além de estudos que relacionam a exposição ao dióxido de nitrogênio emitido por fogões a gás a maior uso de medicação de resgate em crianças com asma.
A combinação dessas evidências amplia o debate sobre prevenção. Melhorar a ventilação, reduzir fontes de poluentes, acompanhar a qualidade do ar em ambientes coletivos e considerar os impactos da combustão dentro das edificações são medidas que ganham relevância para políticas públicas, escolas, instituições de saúde, locais de trabalho e residências. O tema conecta meio ambiente, saúde, infraestrutura e comportamento cotidiano, mostrando que a proteção respiratória depende tanto da qualidade do ar nas ruas quanto das condições presentes dentro dos edifícios.
Os estudos reunidos no material indicam que reduzir a exposição à poluição atmosférica e melhorar a qualidade do ar interno pode contribuir para prevenir doenças respiratórias e diminuir impactos sobre grupos vulneráveis. O documento também cita a estimativa da Organização Mundial da Saúde de cerca de 7 milhões de mortes anuais relacionadas à poluição do ar no mundo, reforçando a dimensão global do problema. Para Portugal, o conjunto de dados sustenta a necessidade de manter a qualidade do ar entre as prioridades de saúde pública e prevenção ambiental.
📚 Referências
- Simões JC, Bernardo A, Gonçalves L, Brito J. Assessment of air pollution and mortality in Portugal using AirQ+ and the effects of COVID-19 on their relationship. Scientific Reports, 2025. DOI: 10.1038/s41598-025-97704-x
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- OMS — Household air pollution.
- OMS — Ambient (outdoor) air pollution.