A qualidade do ar dentro de casas, locais de trabalho e escolas passou a receber maior atenção após a pandemia, em um cenário no qual partículas e outros contaminantes podem se acumular em ambientes fechados. Fatores ligados à construção dos edifícios, como ventilação e disponibilidade de sistemas de ar-condicionado com filtragem, também interferem diretamente nas condições desses espaços.
Entre as principais preocupações está o material particulado PM2.5, formado por partículas com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros e capaz de penetrar nos sistemas respiratório e circulatório. A fonte destaca ainda que contaminantes podem vir tanto do ambiente externo quanto do próprio interior das edificações, incluindo agentes químicos liberados por produtos de limpeza, além de bactérias, vírus e fungos favorecidos pelas condições de temperatura e umidade.
O debate alcança diretamente a concepção e a operação dos edifícios. Pesquisa realizada no Texas entre 2019 e 2020 encontrou qualidade do ar superior em ambientes de trabalho em comparação aos lares, resultado relacionado à presença de sistemas de ar-condicionado e ventilação mais eficientes e com manutenção regular em edifícios comerciais. A chamada síndrome do edifício doente, por sua vez, está associada a fatores como falta de iluminação, excesso de umidade, déficit de limpeza, proliferação de micróbios e concentração de poluentes.
A busca por ambientes internos mais adequados também envolve um desafio de eficiência. Em um contexto de mudanças climáticas, a ampliação do uso de sistemas de ar-condicionado exige atenção ao consumo de energia dos edifícios. A fonte aponta ainda que a construção e a manutenção dos prédios, mesmo aqueles que seguem as normas, respondem por cerca de 40% das emissões totais de dióxido de carbono, inserindo a qualidade ambiental das edificações em uma discussão mais ampla sobre descarbonização.
Nesse cenário, planejamento, construção, manutenção e operação dos imóveis passam a integrar uma mesma discussão sobre qualidade do ambiente construído. Entre as frentes apontadas estão maior purificação e filtragem dentro dos lares e ampliação do monitoramento da qualidade do ar externo. A necessidade de conciliar renovação do ar, filtragem, conforto e consumo energético reforça a relação entre saúde dos ambientes, desempenho das edificações e os desafios da descarbonização.