Em entrevista à Assessoria de Imprensa do Instituto Safeweb, contador e doutor em Desenvolvimento Regional aborda gestão municipal, ESG, contabilidade ambiental, cooperativismo, sindicatos e justiça social.

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“Sustentabilidade não é luxo. É gestão, planejamento e sobrevivência.”
A afirmação resume a visão de Claudio Soares dos Santos sobre o papel da agenda ambiental no desenvolvimento econômico e social. Na conversa com a Assessoria de Imprensa do Instituto Safeweb, o professor, contador e doutor em Desenvolvimento Regional defende que municípios, empresas, cooperativas e sindicatos tratem a sustentabilidade como parte central das decisões, e não como uma pauta secundária.
Assessoria de Imprensa do Instituto Safeweb — Por que a sustentabilidade precisa ser tratada como estratégia de desenvolvimento?
Crescimento sustentável não é uma pauta restrita a ambientalistas. É gestão, planejamento e sobrevivência. Os municípios precisam compreender que a sustentabilidade não pode permanecer no fim da fila, esperando sobrar recurso. Ela não é um discurso bonito nem uma tentativa de acompanhar uma tendência. É economia, inteligência e compromisso com as próximas gerações. Como contador e doutor em Desenvolvimento Regional, observo que as cidades que levam essa agenda a sério tendem a gerar mais emprego, renda e qualidade de vida.
Assessoria de Imprensa do Instituto Safeweb — Que exemplos mostram que a sustentabilidade pode produzir resultados concretos nos municípios?
Nova Boa Vista, no Rio Grande do Sul, tem pouco mais de 2 mil habitantes e aparece entre as 50 cidades mais sustentáveis do Brasil, com avaliações elevadas em saúde, educação, saneamento e energia, segundo o Índice de Desenvolvimento Sustentável mencionado no material-base. São José do Sul lidera o ranking gaúcho. Entre os municípios de maior porte, Santa Maria e Caxias do Sul estão entre os mais inovadores do estado. Esses resultados não são fruto do acaso. Eles refletem gestão, cooperação entre governo, empresas e comunidade, além de visão de longo prazo.
Assessoria de Imprensa do Instituto Safeweb — Quais instrumentos públicos já podem ser utilizados para incorporar essa agenda ao planejamento?
Não estamos falando de uma utopia. Os instrumentos já existem. O Plano Plurianual (PPA) e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), por exemplo, podem orientar incentivos adequados. É possível criar políticas fiscais que valorizem cooperativas e empresas comprometidas com critérios ESG, fomentar a economia circular e apoiar o associativismo. A sustentabilidade precisa estar integrada ao planejamento orçamentário e às prioridades de governo.
Assessoria de Imprensa do Instituto Safeweb — O poder público consegue conduzir essa transformação sozinho?
Não. O poder público, sozinho, não resolve todos os desafios. Entretanto, pode e deve criar mecanismos que tornem o ambiente regulatório e tributário mais favorável à inovação verde. O avanço depende da cooperação entre governo, setor produtivo, organizações sociais e comunidade. A função do Estado é ajudar a criar condições para que práticas responsáveis deixem de ser exceção e passem a fazer parte da dinâmica econômica.
Assessoria de Imprensa do Instituto Safeweb — Como a contabilidade ambiental pode mudar a percepção de que sustentabilidade representa apenas custo?
Muitas pessoas ainda enxergam a questão ambiental somente como custo ou despesa, e essa é uma visão limitada. Quando a contabilidade ambiental participa da gestão estratégica, aquilo que era percebido apenas como passivo pode se transformar em ativo estratégico. Uma empresa que investe em tratamento de efluentes, por exemplo, reduz riscos, melhora a imagem institucional e pode, em determinadas condições, gerar créditos de carbono. Isso agrega valor ao patrimônio e fortalece a competitividade.
Assessoria de Imprensa do Instituto Safeweb — Quais práticas sustentáveis têm impacto direto na competitividade das organizações?
A redução de resíduos, a eficiência energética e a valorização do capital humano impactam o balanço, a competitividade e a resiliência dos negócios. As cooperativas já possuem essa sensibilidade por natureza. O que muitas vezes falta é apoio técnico e institucional para transformar essa vocação em vantagem concreta e duradoura.
Assessoria de Imprensa do Instituto Safeweb — Qual é o papel dos sindicatos nesse processo?
Os sindicatos têm um papel fundamental, não como meros espectadores, mas como agentes de cobrança, formação e articulação com as bases. Sustentabilidade sem justiça social é um discurso vazio. Não adianta preservar o meio ambiente se o trabalhador não tem dignidade, se o emprego é precário ou se a comunidade é excluída das decisões. Os sindicatos têm capilaridade e legitimidade para levar esse debate ao chão de fábrica, às periferias e aos conselhos gestores. O desenvolvimento precisa alcançar todos.
Assessoria de Imprensa do Instituto Safeweb — O Brasil e o Rio Grande do Sul podem se tornar referências nesse novo modelo?
Tenho convicção de que o Brasil, especialmente o Rio Grande do Sul, reúne condições para se tornar referência. Isso exigirá um choque de gestão e também de mentalidade, com planejamento de longo prazo, participação social verdadeira e inovação institucional. Não será fácil, mas é possível e necessário. Precisamos construir cidades que não apenas cresçam, mas que floresçam econômica, social e ambientalmente. Não se trata de slogan, e sim de compromisso.
Sobre o entrevistado
Claudio Soares dos Santos possui Licenciatura Plena em Técnicas de Comércio e Serviços pela Associação Santanense Pró-Ensino Superior (ASPES) e bacharelado em Ciências Contábeis pela Faculdade Porto-Alegrense de Ciências Contábeis e Administrativas (FAPCA). É especialista em Gestão por Processos pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), mestre em Administração e doutor em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC).
Com mais de 20 anos de experiência na docência superior, é professor no Centro Universitário FADERGS, onde coordena o Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF) e leciona em cursos como Ciências Contábeis, Administração, Economia e Gestão Financeira. É membro da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN) e do Anima Plurais, grupo de professores dedicado à diversidade, equidade e inclusão no ensino superior. Também é sócio da CL Contabilidade Assessoria e Consultoria Ltda. e atuou por 35 anos na administração pública estadual do Rio Grande do Sul.
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