Instituições de longa permanência para idosos exigem atenção não apenas aos cuidados clínicos e à rotina assistencial, mas também à qualidade do ar respirado durante todo o dia. Estudo realizado em Portugal e publicado na revista Atmospheric Environment, citado no material de referência, identificou que ambientes internos como casas, creches, escolas e lares de idosos apresentaram concentrações de bactérias superiores às encontradas no exterior, resultado associado principalmente ao número de pessoas presentes e à ventilação insuficiente. Em asilos, onde os moradores permanecem por longos períodos em áreas fechadas, esse cenário amplia a importância do controle ambiental.
A qualidade do ar nesses espaços também pode ser afetada pela atividade das cozinhas. O material destaca que o uso frequente de fogões a gás liquefeito de petróleo, o GLP, pode liberar dióxido de nitrogênio, o NO₂, e partículas finas durante a combustão. Pesquisa de 2024 sobre moradias para idosos com fogões a gás encontrou concentrações internas de NO₂ e PM2,5 significativamente superiores às externas, com piora observada no inverno, quando portas e janelas tendem a permanecer fechadas e a renovação do ar diminui.
O problema ganha relevância porque idosos formam um grupo especialmente sensível aos efeitos da poluição do ar. Segundo os estudos reunidos no documento, a exposição ao NO₂ proveniente da combustão de gás e propano em fogões pode atingir níveis elevados em ambientes fechados. Somada à presença de bactérias e fungos favorecida por ventilação inadequada, essa exposição pode representar um fator adicional de preocupação para pessoas que já convivem com fragilidades respiratórias, cardiovasculares ou imunológicas.
Os dados reforçam a necessidade de tratar a qualidade do ar interno como parte da gestão de saúde e segurança em instituições de longa permanência. Ventilação adequada, renovação do ar, manutenção dos ambientes e atenção às fontes internas de poluentes são elementos que passam a integrar uma discussão mais ampla sobre prevenção, envelhecimento saudável e responsabilidade institucional. O tema também aproxima saúde, infraestrutura e sustentabilidade, ao mostrar que decisões relacionadas à energia e ao funcionamento dos edifícios podem produzir efeitos diretos sobre o bem-estar de seus ocupantes.
As evidências apresentadas no material não permitem concluir, de forma isolada, que todo asilo com fogão a gás apresente níveis perigosos de poluição, mas apontam fatores que merecem acompanhamento técnico e preventivo. Para instituições que acolhem uma população vulnerável, incorporar a qualidade do ar às rotinas de avaliação ambiental pode contribuir para decisões mais informadas sobre ventilação, equipamentos e condições internas, ampliando a proteção aos idosos e qualificando os padrões de cuidado.
📚 Referências
- MADUREIRA, J.; PACIÊNCIA, I.; CAVALEIRO RUFO, J.; PEREIRA, C.; TEIXEIRA, J. P.; DE OLIVEIRA FERNANDES, E. Assessment and determinants of airborne bacterial and fungal concentrations in different indoor environments: Homes, child day-care centres, primary schools and elderly care centres. Atmospheric Environment, v. 109, p. 87–96, 2015. DOI: 10.1016/j.atmosenv.2015.03.026
- KADIRI, K.; TURCOTTE, D.; GORE, R.; BELLO, A.; WOSKIE, S. Determinants of Indoor NO2 and PM2.5 Concentration in Senior Housing with Gas Stoves. Toxics, v. 12, n. 12, p. 901, 2024. DOI: 10.3390/toxics12120901
- KASHTAN, Y. S. et al. Nitrogen dioxide exposure, health outcomes, and associated demographic disparities due to gas and propane combustion by U.S. stoves. Science Advances, 2024. DOI: 10.1126/sciadv.adm8680